O pianista Chico Serra

O piano é dos primeiros instrumentos musicais introduzidos em Cabo Verde. Basta dizer que serviu até de peça de mobiliário em casas ditas abastadas. E a educação de meninas comportava a aprendizagem desse instrumento. A sua utilização, no entanto, na cultura musical cabo-verdiana, é coisa de décadas, destacando-se entre os seus principais utilizadores, Tututa, Arnaldo Gonçalves e os irmãos Marques da Silva, Djosa e Tony, seguidos de Chico Serra, que diz ter aperfeiçoado os seus dotes com esses senhores.

Embora seja músico multi-instrumentalista - executa violão, saxofone, cavaquinho e percussão, foi, contudo, o piano que atirou Chico para o mundo da música, tornando-o não só conhecido a esse nível, como também numa referência e um farol para a geração do seu tempo. “Chico Serra foi o nosso mestre”, destacou Paulino Vieira, numa avaliação dos grandes deste instrumento em Cabo Verde.

Tendo entrado precocemente para o universo musical, pois iniciou a aprendizagem do piano quando ainda contava 4 anos de idade, Chico converteu-se no percursor da era dos instrumentos eléctricos em Cabo Verde, em 1964, quando fundou com Djick Oliveira e Luiz Silva na viola, Cadjuca Feijóo no baixo e Zeca Serra na bateria, o conjunto musical The Mindels - o primeiro grupo a utilizar aparelhos eléctricos, em S. Vicente e o pioneiro da música yé-yé, então em voga.

Em 1966, na sequência de uma fractura na perna, deslocou-se a Portugal em tratamento. Na capital portuguesa, onde permaneceu cerca de um ano, aproveitou para aumentar os seus conhecimentos musicais, recebendo instruções de piano com maestro de nacionalidade basca, Shegundo Galarza. Um nome sonante da música portuguesa que viria mais tarde a gravar com Luís Morais. Com Galarza, Chico Serra obteve certa técnica na execução do violão que, na altura, o destacou como um dos grandes solistas de Cabo Verde. E é pois, a executar este instrumento que ingressa o conjunto Ritmos Cabo-verdianos, substituindo Humbertona que, no seguimento de uma digressão a Lisboa, decidira abandonar o grupo. E é ainda um dos elementos que, com Tói de Bibia, veio a acompanhar, a violão, Tazinho, nos discos Sucessos Tazinho, Hora de Bai e Dia Grande, e o próprio Humbertona e Val no trabalho discográfico Lágrimas e Dor.

Mas a coroação musical de Chico Serra sucedeu-se a 28 de Maio de 1968, dia em que efectivou a sua entrada no conjunto Voz de Cabo Verde. Contava na altura 21 anos de idade. Da Holanda, recebera uma carta de Morgadinho a convidá-lo a integrar, na qualidade de teclista, o lendário grupo que tinha a sua base de acção sediada no país das tulipas.

No Voz de Cabo Verde, Chico percorreu uma longa estrada de digressões e concertos, tendo entrado para o clube dos músicos com discografia, com o LP Mechê. Em 1969, em parceria com Humbertona gravou “Chico Serra ma Humbertona”, em viola e piano. Segundo Tói de Bibia, a entrada do Chico no grupo aliviou-o bastante, pois passaram a partilhar os momentos musicais que antes só cabia a ele realizar. E Luís Morais, abordando o performance de instrumentalistas cabo-verdianos, nunca deixou de enfatizar ser “Chico Serra um grande pianista, que está lá.”

A sua intervenção no Voz de Cabo Verde revestiu-se de um carácter muito importante. Diz ele que, por não ter conhecimentos de música ao nível de leitura e escrita, Luís preparava a sua intervenção musical, via saxofone, gravava-a e entregava-lhe para se preparar. Só que na execução sobressaía os seus dotes pessoais, pois com uma capacidade genial no manejo da mão esquerda ao piano, introduzia laivos de tocares de estilos do tipo swing e jazz, que acabava por ornamentar o aspecto musical. São exemplos as suas intervenções no single Cumbia (Cartagenera, por La Calla Real, Cumbia en Cartagena e Mas Que Nada) e o LP Sentationnel Luís Morais (Negra Calienta-Pipilita), etc.

Serra também já foi vocalista. No LP Ilha do Fogo do Voz de Cabo Verde, interpretou o tema “Maninha de Nha Carlota” e o foi vocalista do Cabo Samba. Enquanto compositor, com algumas criações, parece ter Chico sido melhor sucedido em Teus Lindos Olhos, interpretada duas vezes por Djosinha.

Com a extinção do grupo, em Dezembro de 1970, fixou-se definitivamente em S. Vicente, então como empregado da ELECTRA (ex-JAIDA), mantendo ainda assim viva a sua actividade musical. Foi, nos finais da década de setenta, de parceria com os antigos colegas da Voz de Cabo Verde, Luís Morais e Franck Cavaquinho, fundador do conjunto Cabo Samba, de que foi líder, e criou o Pub Piano Bar, que funcionou durante muito tempo como um centro de divulgação de artistas e da música cabo-verdiana. Após um interregno de mais de dez anos voltou, no início da década de oitenta, a gravar mais dois LPs, a solo de piano, e actualmente participa na tournée do reorganizado Voz de Cabo Verde.

Francisco José Coelho Serra, nasceu na rua Pinheiro Chagas, Largo de Ténis da Praia, no dia 24 de Fevereiro de 1947 e foi viver para S. Vicente com apenas a idade de 2 meses e 15 dias. Filho de Manuel Serra e de Laura Serra, frequentou o Liceu Gil Eanes e posteriormente a escola Comercial e Industrial do Mindelo, onde concluiu o curso geral de marcenaria e carpintaria. Em Julho de 2001, fruto de um percurso brilhante, Chico comemorou os seus 50 anos de carreira musical, como pianista, o que o coloca no podium dos grandes deste instrumento em Cabo Verde.

Por D. Tavares (in Lantuna)

ONDAS DI MAR DI FURNA


1. DJA BRAVA UM CANEGABO
2. MARIA ADELAIDE
3.MISS PERFUMADA
4.DU
5.ONDAS DI MAR DI FURNA
6.BOAVISTA NHA TERRA
7.PARTIDA

PIANO BAR DE MINDELO

1992

1. MINDELO
2. NITA DONOTE
3. FORÇA DE CRETCHEU
4. BO BAI BO DICHAM
5. SANTO ANTAO
6. VOU MATAR MINITA
7. PONTA DO SOL
8. FIDJO MAGOADO

ECLIPSE

1990

1. ES DEZ GRONZINHO DE TERRA
2. JUNIOR
3. AVEZINHA DE RAPINA
4. ECLIPSE
5. MORNA DE AGUADA
6. MUDJER BONITA
7. PAPA JUQUIM PARIS

Objectivo deste Blog.

Este blog tem o objectivo de divulgar Chico Serra.
A sua elaboração é dada ao próprio se assim for desejado.
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